Jarina: descubra o marfim vegetal

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Cortar uma semente, perfurá-la e depois polir para transformá-la em um elemento de joia: a Jarina permite essa transformação surpreendente. Seu material se torna suficientemente duro para ser moldado, sem que seja sempre possível perceber, diante da joia pronta, que ele provém de uma semente.

Para entender o que os artesãos trabalham, é preciso voltar ao interior da semente.

Um material no coração da semente

No Brasil, o nome Jarina designa principalmente a palmeira Phytelephas macrocarpa e suas sementes. Essa palmeira cresce em parte da América Central e da América do Sul, especialmente no noroeste do Brasil.

No interior de sua semente encontra-se uma reserva nutritiva chamada endosperma. Durante o amadurecimento, esse material se solidifica até se tornar branco e muito duro. Após a secagem e o preparo, ele pode ser trabalhado.

É essa parte interna, por sua cor e dureza, que rendeu à Jarina o nome de “marfim vegetal”. As sementes das palmeiras do gênero Phytelephas foram usadas para fabricar botões, objetos esculpidos, ornamentos e joias.

Cortar, perfurar, polir: os gestos que transformam

A dureza do material abre várias possibilidades para os artesãos. O corte permite obter pedaços ou fatias; a perfuração permite sua montagem. O lixamento e o polimento trabalham então a superfície e seu acabamento.

O artesão escolhe como trabalhar o material de acordo com a peça que deseja criar. Uma forma, uma espessura, uma superfície polida ou uma combinação com outros materiais resultam de escolhas artesanais.

Observar uma peça de Jarina é também olhar para esse trabalho: como uma semente foi transformada, que formas recebeu e como seus elementos foram montados.

Jarina e tagua: situando os nomes

As denominações variam de acordo com as regiões. No Brasil, Jarina é usado principalmente para Phytelephas macrocarpa. O nome “tagua”, encontrado em outras regiões da América Latina, pode designar várias espécies do mesmo gênero.

Esses nomes, portanto, não permitem, por si só, identificar precisamente a espécie ou o local de origem de uma criação.

Na Amazonikaa, usamos o nome Jarina quando esse material é identificado dessa forma nas criações selecionadas junto aos nossos artesãos parceiros no Brasil.

Observar o material, reconhecer o trabalho

Apresentar os materiais e os gestos faz parte do projeto da Amazonikaa, conduzido por Flavia, natural de Alter do Chão, no Pará, e residente na França.

A Jarina oferece uma maneira concreta de abordar esse vínculo entre o Brasil e as criações que apresentamos: partir de uma semente, entender o que a torna moldável e então reconhecer as escolhas e o trabalho da pessoa que a transformou.

Diante de uma joia, o olhar pode então se deter em um detalhe: um corte, uma perfuração, um acabamento. São marcas da passagem do material ao gesto artesanal.

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