A história da Amazonikaa
Amazonikaa nasceu entre duas margens.
Sou Flavia, brasileira natural de Alter do Chão, no estado do Pará, na Amazônia, e moro na França desde 1999.
Amazonikaa nasceu dessa vida entre duas culturas e de um desejo profundamente pessoal: criar uma ponte entre o Brasil e a Europa e apresentar aqui uma parte da riqueza humana, cultural e artesanal do meu país.
Por trás das criações que seleciono, há encontros, territórios e, sobretudo, mulheres e homens que perpetuam saberes. Ao longo das minhas viagens pelo Brasil, encontro artesãos parceiros, conheço seu trabalho, suas matérias-primas, suas técnicas e as histórias que acompanham suas criações.
A Amazonikaa não fabrica essas joias. Eu as seleciono junto a artesãos parceiros brasileiros por sua singularidade, seu saber-fazer e pelo que revelam sobre seu território e sua cultura.
Uma ponte entre o Brasil e a Europa
Por meio da Amazonikaa, quero ir além da joia. Cada criação é uma porta de entrada para uma história: a de um artesão, de uma matéria-prima, de uma técnica ou de um território do Brasil.
Meu papel é criar essa conexão: encontrar os artesãos parceiros, selecionar suas criações e oferecer a eles, aqui na Europa, um espaço onde seu trabalho possa ser descoberto com seu contexto e sua história.
É também um convite a consumir de outra maneira: escolher menos, mas escolher peças que tenham significado, produzidas artesanalmente e portadoras de um saber-fazer.
Assim, a Amazonikaa se tornou para mim uma forma de transmitir uma parte do Brasil que amo: um Brasil plural, criativo e profundamente humano.
Criações, mas sobretudo pessoas
Por trás de cada criação existem saberes transmitidos, desenvolvidos e reinterpretados pelos artesãos que os mantêm vivos.
A Amazonikaa seleciona joias junto a artesãos, coletivos e comunidades parceiras no Brasil. Alguns artesãos podem ser identificados individualmente; em outros casos, as criações são oferecidas coletivamente por um povo, uma associação ou um grupo de artesãos.
Essa distinção é importante para mim. Quando conheço a pessoa que fez uma peça, quero poder identificá-la. Quando a criação resulta de um trabalho coletivo e seu autor ou autora não é identificado, prefiro respeitar essa realidade em vez de atribuir a joia arbitrariamente a alguém.
As miçangas, as sementes naturais, o Capim Dourado e os outros materiais encontrados na seleção da Amazonikaa também contam sobre gestos, técnicas e diferentes territórios.
Entre os povos indígenas com os quais trabalhamos, os padrões feitos com miçangas não são simples ornamentos. Eles podem fazer parte de linguagens visuais próprias de cada povo, a ponto de algumas composições se tornarem reconhecíveis quase como uma assinatura. A fauna, a flora e os elementos do território podem ser observados, interpretados e transformados pelo imaginário e pela linguagem artística dos artesãos.
Por isso, a Amazonikaa busca apresentar uma criação com seu contexto, sem falar em nome de quem a criou e sem generalizar um significado de um povo para outro.
No Brasil, Lalah em campo
Não realizo sozinha esse trabalho de seleção e transmissão.
No Brasil, minha irmã Lalah, mulher Borari, acompanha uma parte essencial da curadoria da Amazonikaa. Há mais de quinze anos, ela trabalha em contato com povos indígenas, artesãos e comunidades e desenvolve um conhecimento aprofundado de suas criações, seus saberes e suas expressões artísticas.
Gestora ambiental, ativista e curadora de arte indígena, ela também desenvolve seu próprio trabalho no Brasil por meio da Lalah Amazônia.
Sua presença em campo é valiosa para a Amazonikaa. Ela mantém relações diretas com artesãos e comunidades, participa da seleção de algumas criações e me transmite as histórias, as explicações e os conhecimentos que lhe são confiados.
É especialmente graças a essa experiência que ela consegue reconhecer, em alguns casos, a origem de uma criação por meio de seus padrões e de sua composição: as linguagens gráficas podem estar profundamente ligadas à identidade cultural de cada povo.
Para a Amazonikaa, Lalah não atua como uma intermediária comercial. Quando compra ou reúne criações para mim, ela o faz diretamente com os artesãos, sem acrescentar nenhuma comissão de intermediação.
Entre seu trabalho em campo no Brasil e o desenvolvimento da Amazonikaa na França, buscamos assim manter um vínculo vivo com as pessoas e os territórios que estão por trás das criações.
Transmitir sem engessar
A Amazonikaa nasceu do desejo de apresentar as criações artesanais brasileiras de outra maneira: não como simples objetos vindos de longe, mas como a extensão de gestos, encontros e patrimônios vivos.
Algumas histórias nos são transmitidas diretamente pelos artesãos e pelas comunidades; outras, por Lalah, ao longo de seus anos de trabalho em campo. Escolhemos compartilhá-las com suas nuances, pois um simbolismo ou uma interpretação pode pertencer a um povo, a um território ou a uma transmissão específica, sem ser universal.
Da Amazônia à França, a Amazonikaa deseja assim criar uma ponte: permitir que essas criações viajem, mantendo visíveis, tanto quanto possível, as pessoas, o saber-fazer e a história que as acompanham.
Boas-vindas ao universo Amazonikaa.