Quando a natureza dá suas cores às joias

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Quando observamos algumas joias feitas com sementes e caroços, muitas vezes são suas cores que primeiro chamam nossa atenção.

Na Europa, onde estamos menos familiarizados com esses materiais e com seu uso no artesanato brasileiro, poderíamos facilmente imaginar que essas cores tenham sido obtidas com tinturas industriais.

E, no entanto, nem sempre é assim.

Algumas sementes e alguns caroços possuem naturalmente cores surpreendentes. Outros podem ser tingidos artesanalmente com elementos de origem vegetal: frutos, folhas, raízes ou cascas.

Na Amazonikaa, quando seleciono joias feitas com esses materiais vegetais, privilegio justamente essa relação com a natureza: ou o material conserva sua cor natural, ou sua cor é trabalhada artesanalmente a partir de elementos vegetais.

Mas, antes de falar de coloração, é preciso olhar para aquilo que a natureza já nos oferece.

Sementes e caroços: cores que já existem na natureza

tento olho-de-cabra

A paleta natural das sementes e dos caroços é muito mais rica do que se poderia imaginar.

Alguns materiais utilizados no artesanato brasileiro simplesmente não precisam ser tingidos.

A saboneteira (Sapindus saponaria), por exemplo, possui naturalmente uma tonalidade escura.

O tento (Adenanthera pavonina) se destaca por seu vermelho intenso, enquanto o tento olho-de-cabra (Ormosia arborea) apresenta naturalmente essa associação característica de vermelho e preto.

O caroço de inajá (Attalea maripa), fruto de uma palmeira amazônica, nos leva a uma paleta completamente diferente, com tonalidades mais suaves, próximas do marrom e do caramelo.

Vermelho intenso, vermelho e preto, marrom, caramelo… essas cores já pertencem ao próprio material.

Para quem descobre essas sementes e caroços na Europa, isso pode ser surpreendente. Algumas tonalidades são tão profundas ou vivas que seria fácil imaginar que uma coloração tivesse sido necessária.

No entanto, aqui, a cor não foi acrescentada: ela já estava ali.

É uma das coisas que gosto de apresentar por meio da Amazonikaa: antes de ser a cor de uma joia, às vezes é simplesmente a cor que a natureza deu a uma semente ou a um caroço.

Conheça as joias de materiais vegetais selecionadas pela Amazonikaa

Quando a natureza também permite criar novas cores

Dona Nice joias_feitas_à_mão

Mas nem todas as cores que observamos nessas joias são necessariamente aquelas que a semente possuía originalmente.

Existe outra maneira de trabalhar a cor: utilizar elementos vegetais para modificar naturalmente a tonalidade do material.

É um saber-fazer que encontro, entre outros, no trabalho de Dona Nice (foto acima), artesã da comunidade Jamaraquá, na Amazônia brasileira, com quem trabalho atualmente.

Dona Nice faz parte da associação de mulheres de Jamaraquá, cujas artesãs produzem, entre outras coisas, criações com materiais naturais.

Para trabalhar algumas cores, ela utiliza os elementos naturais que conhece. Vai buscar os materiais de que precisa, às vezes diretamente ao redor de sua casa, e depois os utiliza para preparar as sementes.

Frutos, folhas, raízes ou cascas podem assim participar do processo de coloração.

O limão, o anil e o açafrão são alguns exemplos.

Descobrimos então algo bastante fascinante: um material vegetal pode transformar outro.

O morototó e o limão: quando uma semente muda de cor

Tomemos um exemplo concreto com o morototó (Didymopanax morototoni), uma semente que Dona Nice trabalha, entre outras coisas, para obter diferentes nuances.

Dona Nice tem limoeiros em casa. Quando dispõe de muitos limões, pode utilizá-los para trabalhar a cor do morototó.

Para obter uma tonalidade próxima do verde-caqui, as sementes são mergulhadas em uma preparação à base de limão.

Ela utiliza o suco, mas também as cascas dos limões, e deixa as sementes em contato com essa preparação durante algum tempo.

Progressivamente, sua cor se transforma.

E a tonalidade obtida não é necessariamente sempre exatamente a mesma.

A quantidade de limões, a quantidade de sementes e o tempo de permanência na preparação podem influenciar a intensidade da cor.

É aqui que o saber-fazer da artesã ganha todo o seu sentido.

Não se trata simplesmente de aplicar uma cor predeterminada sobre um material. É preciso conhecer aquilo que se utiliza, saber como os materiais reagem entre si, observar a transformação e trabalhar com as variações naturais.

Limão, anil, açafrão… uma paleta vegetal

O limão é apenas um exemplo.

Outros elementos vegetais podem ser utilizados para trabalhar outras tonalidades.

O anil entra em algumas preparações, enquanto o açafrão permite, entre outras coisas, alcançar tonalidades mais quentes e ocres.

Algumas cascas também podem ser utilizadas para obter tons mais escuros.

Assim, um material que já possui sua própria cor natural pode revelar novas nuances graças ao trabalho da artesã.

E esse é provavelmente um dos aspectos que considero mais fascinantes nesse saber-fazer: a cor não vem esconder a natureza. Ela própria vem da natureza.

Uma semente pode encontrar um fruto, uma folha, uma raiz ou uma casca. Depois entram o conhecimento, a experiência, o tempo e os gestos da artesã.

Por trás de uma cor, existem as mãos de uma artesã

morototó

Quando seleciono essas criações de Dona Nice para a Amazonikaa, não vejo apenas um colar, uma pulseira ou um par de brincos com belas cores.

Também penso no que aconteceu antes de a joia chegar até nós.

Foi preciso preparar os materiais, buscar os elementos vegetais necessários, trabalhar a coloração, observar sua evolução e, depois, confeccionar a joia à mão.

Quando descobrimos a criação finalizada, todas essas etapas se tornaram quase invisíveis. E, no entanto, elas estão ali.

Elas também explicam por que as tonalidades podem variar ligeiramente de uma criação para outra.

Uma semente ou um caroço é um material natural. E, quando sua cor é trabalhada com elementos vegetais, o resultado não procura a uniformidade perfeita de uma produção industrial.

Essas variações, portanto, não são algo a ser apagado.

Elas fazem parte da história do material e do trabalho artesanal.

Como toda joia, alguns cuidados para preservá-la

Uma joia feita com sementes, caroços ou outros materiais vegetais merece ser usada e guardada com cuidado, como qualquer outra joia.

É especialmente recomendável evitar borrifar perfume ou produtos cosméticos diretamente sobre a joia e protegê-la da exposição prolongada à umidade.

Alguns gestos simples ajudam a preservar sua beleza e a aproveitar essas criações artesanais por muito tempo.

Quer saber como cuidar de suas joias e preservá-las ao longo do tempo?

Conheça meus conselhos para cuidar e preservar suas joias

Olhar de outra forma para as cores de uma joia

Colar de sementes de morototó multicoloridas e saboneteira - fecho azul

Na Amazonikaa, seleciono e importo joias feitas no Brasil por artesãos parceiros.

Por meio dessas criações, quero apresentar na Europa saberes artesanais, materiais e histórias que permitem olhar para o Brasil de outra forma.

Para as joias feitas com sementes e caroços, privilegio, sempre que possível, a cor natural do material ou colorações obtidas artesanalmente a partir de elementos vegetais.

Então, da próxima vez que você observar as cores de uma joia feita com sementes ou caroços, olhe um pouco mais de perto.

Essa cor que você talvez tenha imaginado ser artificial… talvez já fosse a própria cor do material.

E, se não era, talvez sua história tenha começado em um fruto, uma folha, uma raiz ou uma casca, antes de passar pelas mãos de uma artesã.

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